Avaliação: Fiat Argo 1.3 GSR – Casamento forçado não dá certo

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Fiat Argo 1.3 é um bom produto, mas, câmbio GSR joga contra

Por Paulo Eduardo

Não é exagero afirmar que o Argo, substituto de Palio e Punto, é o melhor produto da Fiat nos últimos tempos. O carro transmite sensação de solidez e é bem construído. Usa aços de altarresistência. O motor 1.3 mostra-se mais equilibrado entre 1.0 e 1.8. O primeiro dá conta do recado na cidade e exige atenção na estrada; o segundo tem mais torque e potência, sem empolgar. Então, o Argo casa melhor com o 1.3. O dilema dessa união proposta pela Fiat é o câmbio automatizado de cinco marchas. Trata-se de um câmbio convencional de uma embreagem, que dispensa o pedal, e troca as marchas automaticamente. Podem-se trocar as marchas manualmente por meio de aletas no volante. Não é automático, pois não tem conversor de torque. Se câmbio automatizado de uma embreagem funcionasse sem trancos, não existiria o mais sofisticado de duas embreagens.

Evolução?

Por mais que a fabricante alardeie a evolução na troca das marchas, o dilema dos pequenos trancos e movimentação dos ocupantes para frente ainda persistem. Todos os comandos do sistema estão individualizados no console central. São teclas em vez da tradicional alavanca. Basta acionar um deles para o sistema funcionar. Mesmo no modo D, as marchas podem ser trocadas por meio das aletas. Tem mais: a versão GSR custa R$ 5 mil a mais em relação à com câmbio manual. Porém, está equipada com controles de tração e estabilidade, além da assistência de partida em rampa. A manutenção dessa transmissão automatizada é cara.

Apesar de todas as adversidades, é possível perceber a eficiência do motor 1.3, que tem 1.332 cm³ de cilindrada. Poderia ser denominado 1.32. A Fiat arredondou para baixo. Ao contrário da Honda cujo motor de 1.339 cm³ de cilindrada é 1.4. Esse motor tem funcionamento suave, está bem balanceado, agradando aos ouvidos. Acelera bem e consegue dar boa dinâmica ao carro. Surpreende porque não se espera muito dele, mas valores de torque e potência são generosos para comando único no cabeçote e duas válvulas por cilindro. Leva o Fiat Argo 1.3 GSR aos 100 km/h em tempo razoável e supera 180 km/h de velocidade máxima. Não tem comportamento esportivo e proporciona segurança nas ultrapassagens. Usa corrente em vez de correia, facilitando manutenção, e dispensa tanquinho de partida a frio. Computador registrou consumo entre 12 km/l e 15 km/l na estrada e de 7 km/l a 9,4 km/l na cidade, ambos com gasolina.

Direção

O Fiat Argo 1.3 GSR tem direção com assistência elétrica bem calibrada, sendo leve em manobras e com peso suficiente em alta. Freios param o carro com desvio mínimo de trajetória e frente abaixa muito pouco. Suspensão confortável em piso ruim proporciona estabilidade incrível. Carroceria inclina pouco. Ruídos internos são abafados. Quase não se ouve vibração de painel e forro de porta. Pneus de perfil mais alto (60), melhor ainda os de série (65) contribuem para o bem-estar a bordo. Espaço interno avantajado para pernas no banco traseiro. Porém, o assento curto não apoia totalmente as pernas.

Ergonomia

Ergonomia incomoda com comandos dos vidros recuados na porta, e é preciso abaixar a cabeça para sair do banco traseiro. Além disso, a caída brusca do teto limita espaço para cabeça atrás. Porta-malas tem abertura somente pelo controle na chave, mas quando as portas são destravadas inclui também a tampa traseira. Assim, basta puxá-la pela base e acionar o comando de abertura embaixo dela. A tradicional alavanca para abrir por dentro foi abolida.

No Fiat Argo 1.3 GSR, a segurança básica é completa no banco de trás, com cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos. Retrovisores enormes proporcionam boa visibilidade. Vidros traseiros com acionamento elétrico. Faróis iluminam muito bem.

Motorista encontra a melhor posição de dirigir com ajuste de altura do banco e regulagens em altura e distância da coluna de direção. Volante tem boa pega, revestido de material rugoso, que evita deslizamento das mãos, e agrupa poucos comandos, facilitando a ergonomia. Painel central tem muitos elementos com saídas de ar ao centro, quadro de instrumentos de fácil visualização e sistema multimídia completo com navegação, Bluetooth, entradas USB, entre outros.

Como a Fiat tem câmbio automático com conversor de torque nas versões com motor 1.8 fica difícil entender a insistência com o automatizado. Seria, por acaso, receio de declínio nas vendas das versões 1.8? Motor 1.3 casado com câmbio automático convencional teria convivência harmônica.

Quanto custa?

O Fiat Argo 1.3 GSR tem preço sugerido de R$ 58.900. Com câmera de ré e rodas de liga chega aos R$ 62.200. A versão vem com ar-condicionado, direção elétrica, sistema som e multimídia, entre muitos outros, de série.

Ficha técnica Fiat Argo 1.3 GSR

Motor
De quatro cilindros linha, flex, 1.332 cm³ de cilindrada, com potências de 109 cv (álcool) a 6.250 rpm e 101 cv (gasolina) a 6.000 rpm e torques máximos de 14,2 kgfm (álcool) e 13,7 kgfm (gasolina) a 3.500 rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio automatizado de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Freios
Disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, McPherson, e barra estabilizadora;  traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
6×15” liga leve (opcional) /185/60R15

Peso
1.148 kg

Carga útil (passageiros+ bagagem)
400 kg

Porta-malas
300 litros

Tanque
48 litros

Dimensões (metro)
Comprimento, 4; largura, 1,72; altura, 1,50; distância entre-eixos, 2,52

Desempenho
Velocidades máximas, 184 km/h (etanol) e 180 km/h (gasolina); aceleração até 100 km/h, 10,8 (etanol) e 11,8 (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 8,9 (e) e 12 (g); estrada, 10 (e) e 14,4 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos